28/10/2010

Frankciésmiélcion homem bom.

Frankciésmiélcion era um homem bom.

Bom, bonito e barato.
Bom porque tendo sido criado em família religiosa aprendera desde cedo a ser homem digno e honrado, mesmo que não soubesse ao certo o que isso significasse.
Bonito porque ainda se lembra da Tia Gilmara dizendo: “Esse menino é tesouro, parece o Macgyver”.
E barato porque não tinha na cidade alguém que trabalhasse tanto e recebesse tão pouco.
Mas Frank está feliz (não o chamem de Frank, ele odeia).
Apesar das dificuldades vai se casar.
A noiva não é lá essas coisas, mas já aprendeu a pronunciar seu nome direitinho. Frankciésmiélcion e Ana se casam em breve
O primeiro filho, quando Deus mandar, chamar-se-á Frankciésmiélcion Aparecido Batista do Perpétuo Socorro Neto em homenagem ao avô paterno ou Pedro Silva Neto em homenagem ao avô materno.
O casal ainda não chegou num acordo.

30/04/2010

Ambiliriel, Abnedegardison e Esbulendégson Silva do Perpétuo Socorro.

3 irmãos.

Quando o primeiro filho nasceu Seu João e Dona Maria não se aguentavam de tanta felicidade. Tudo bem que seria mais uma boca para comer (mamar no início), mas onde comem dois, comem três... O problema é que na casa de Seu João ultimamente não comia ninguém (no bom sentido). Mas passado o susto inicial e superados os primeiros meses de dificuldade, seu João finalmente conseguiu um dia para ir até a cidade e registrar o menino (sim, menino, do saco roxo como manda o Conselho Federal dos Machos do Norte). Já na cidade finalmente seu João se viu diante do Tabelião no Cartório de Registro Civil (o único num raio de três galáxias).
- Parabéns, como vai se chamar o herdeiro?
- Quem?
- O herdeiro.
- Herdeiro? O menino? Coitado, só se erdar a burrice do pai e a feiúra da mãe, ou vice e versa... (na verdade Seu João não disse isso, só pensou).
- Eu não sei ainda.
- Não sabe?
- Não.
- Mas o senhor veio aqui para registrar o menino, não veio?
- Sim, vim.
- E não sabe o nome?
- Não.
- Mas como isso, o senhor não falou com a mãe?
- Com a minha mãe?
- Não. Com a mãe do menino.
- Ah, a minha véia... Não, a gente não falou disso não.
- Mas...
- A gente não proseia muito não...
- Mas como ela chama o menino?
- Menino, fio, coisa, trem... Cada hora de uma coisa.
- Não é possível.
- O que?
- Deixa pra lá. O negócio é que o senhor precisa achar um nome, senão não posso registra.
- O senhor me ajuda?
- Sei lá, coloca José, é simples mas tem a força do nome do pai de Jesus.
- Humm... Meio simples.
- Então põe Washington, é dos estrangeiro... Nome de gente importante.
- Não, muito fresco, depois o menino vira viado e a culpa vai ser minha.
- Então o senhor senta ali para liberar a fila e pensa um pouco.
Meia hora depois:
- Pronto, ta aqui ó, escrevi o nome que é pro senhor não correr o risco de errar no registro.
- O que???
- O que o que?
- O senhor tá falando sério?
- Claro ora... É um nome diferente, não quero nome simples, nem de fresco no meu filho.
- Bom, então tá.
E assim registrou-se sob o número (não importa), da comarca de Nossa Senhora da Piraporinha do Norte, o primogênito do Seu João: Ambiliriel Silva do Perpétuo Socorro, que mais tarde (9 meses depois) se tornaria irmão de Abnedegardison Silva do Perpétuo Socorro e 7 meses depois (nasceu prematuro) do caçula da família Esbulendégson Silva do Perpétuo Socorro.
A mãe, pelo menos é o que dizem, gostou tanto do primeiro nome que deixou para o pai a escolha do nome dos demais, percebe-se.

27/10/2009

CRÔNICAS DE MÃO ESQUERDA

“O homem” são crônicas de mão esquerda e “crônicas de mão esquerda” são textos escritos à luz da inspiração do momento, sem grandes pretensões poéticas e preocupações ortográficas. Tudo feito a lápis e com a mão esquerda. Para treinar o outro lado do cérebro, sabe?
No entanto, se você for canhoto, essa maravilhosa terapia alternativa não pode ser praticada por você. Nesse caso, consulte sobre as “crônicas de mão direita” plenamente desaconselháveis para os destros.

Boa leitura.

O HOMEM


Episódio 2


O homem lavou as mãos, mas sem usar sabão e assim que saiu do banheiro deu de cara com Sergy, francês, solteiro, 35 anos (com corpinho de 20, como ele mesmo diz) e de gosto duvidoso. Se olharam - o homem com um sorriso amarelo sincero e Sergy com um sorriso branquinho falso - se cumprimentaram com um aperto de mão que fez com o que o homem se arrependesse de ter lavado-as.
Sergy rapidamente sumiu pelo corredor e o homem ali parado. Olhou para a garrafa de café e voltou para a sua sala com um copo de água. Ainda tinha muito trabalho a fazer... Inúmeras solicitações de férias para lançar e Eeepâ!!! Alguém lançou a data errada!!! - O homem ficava puto da cara quando lançavam a data errada - Passou a mão no telefone e ligou:

- Alô?
- Oi, o Ronivon está? – Disse o homem nitidamente irritado.
- Tá ocupado.
- Tá em reunião?
- Não, não tá.
- Então me deixa falar com ele porra!

“Ai meu Deus”, eu disse porra...”
E agora? Eu disse porra para a estagiária.... E se ela me acusar de assédio moral? Pior, e se me acusar de assédio sexual, afinal porra tem conotação sexual. Sim, tem muita conotação sexual. Ai, ai, ai, ela vai falar com o meu chefe. Ele vai me chamar para dar explicações. O que eu vou falar? Talvez ele queira explicações, talvez me mande embora logo de cara. É, vai ser melhor assim... Logo de cara, sem exposição. Sem constrangimentos é bem melhor. NÃO!!! Não é não. Se eu for mandado embora como é que eu vou pagar as prestações da moto? Fodeu. Já sei, vou dizer que estou com problemas, com estresse. Isso... Não, não, não. Estresse todo mundo tem e nem por isso saem por aí assediando estagiárias. Vou dizer que estou com psicopatia aguda; que estou fazendo análise e tomando remédios fortes. Isso. Ele não vai ter coragem de mandar um doente embora. Putz, vai sim, e sem o menor problema. Ai caramba eu to fodido, demitido por justa causa, acusado de assédio sexual... Nunca mais arrumo emprego. Fodeu de vez. Já sei... Vou lá e peço a conta, agora, na lata, antes mesmo dele ficar sabendo. Depois fica fácil, é só dizer nas entrevistas que resolvi sair porque já não havia mais desafio e por isso estou à procura de uma recolocação onde eu possa mostrar todo o meu potencial. Isso mesmo, vou lá agora e acabo com isso.

- Alô? Senhor? O Sr. ainda está aí?
- Oi!?
- Ah, achei que a ligação tinha caído... O Ronivon estava em outra ligação, mas já desligou, to passando para ele. Tchau, boa tarde.

23/10/2009

O HOMEM

Episódio 1

O homem não sabia ao certo como proceder com as entrevistas, já que ele não havia recebido a documentação dos candidatos. Por isso resolveu parar tudo e procurar ajuda da psicóloga do recrutamento e seleção, mas ela estava ocupada em reunião com o diretor de RH e não pode atendê-lo.
Diante daquela situação o homem decidiu deixar tudo como estava. Ficou nervoso e ponderou: “Devo pular pela janela ou largar tudo e tomar um café?” Achou melhor pular porque o café da Dona Cida ninguém merecia. No entanto, tão logo subiu no parapeito um pombo sentado tranquilamente olho e disse: - Se liga nóia, tu não tens asas não.
O homem se assustou ao ver um pombo falante, desequilibrou-se e caiu. Por sorte ele trabalhava no térreo.
Sentado na grama, desmoralizado e vendo o pombo perder as penas de tanto rir (mesmo não tendo dentes), o homem reconsiderou, levantou-se com o pouco de dignidade que ainda lhe restava e foi tomar um café.

14/09/2009

A INVOLUÇÃO HUMANA


Quando me sentei em frente ao computador, cheio de pretensões poéticas, e decidido sobre o tema do meu primeiro texto, lembrei-me, quase que instantaneamente, da foto que havia visto há algum tempo na faculdade. Não conhecia a história da foto nem do fotógrafo, então decidi pesquisar um pouco. Na fotografia, a menina se arrasta em direção a um campo de alimentação - está morrendo de fome, literalmente - enquanto que o urubu parece esperar, pacientemente, sua morte. Foi fotografada por Kevin Carter, em 1993, no Sudão. Kevin fazia parte de um grupo de quatro fotógrafos conhecidos pela impressa internacional como The Bang-bang Club, em função da coragem com que captavam imagens fortíssimas da guerra. A fotografia polêmica foi comprada pelo jornal The New York Times. Ganhou o prêmio Pulitzer de 1994 e alarmou o mundo para a fome na África. Tudo estava muito bom, até que alguém decidiu perguntar-se o que o fotógrafo teria feito para salvar a criança. Carter balançou os ombros e percebeu que nem ele tinha parado para pensar naquilo... Deu várias e diferentes versões até declarar, em uma das suas últimas entrevistas, que odiava a fotografia. Trancou-se na garagem de casa e asfixiou-se com os gases do escapamento do próprio carro, um ano depois de tirar a foto e no mesmo ano em que ela recebeu o tão cobiçado prêmio.

A tecnologia e a fome.

Nunca as desigualdades sociais foram tão violentas, mesmo no passado, no auge da revolução industrial, com toda a exploração do trabalhador e miséria, havia uma diferença tão grande entre as massas sociais.


A discrepância cultural impede a inserção das massas carentes às tecnologias. Enquanto uma minoria desenvolve alta tecnologia e outra minoria usa, existem bilhões de pessoas que só precisam de pão e água. Não basta ensinar ligar o computador, a pessoa pode até aprender a apartar o botão, mas não saberá o significado do ato.


Grupo 1: Desenvolve tecnologia;

Grupo 2: Tem capacidade de absorver e usar a tecnologia criada pelo grupo 1;

Grupo 3: Não faz nem idéia do que o grupo 1 criou, o que é e nem para que serve. Tem outras necessidades, muito mais básicas.

A involução.

Quem nunca ouviu um antigo comentar que as crianças de hoje são muito mais inteligentes que as crianças de outras épocas. Isso é verdade. Pais que desenvolvem habilidades intelectuais geram crianças com capacidade intelectual maior. Se eu sou médico, estudo muito, desenvolvo áreas do meu cérebro que meu pai não desenvolveu, é muito provável que meus filhos nasçam com essas áreas já pré-desenvolvidas – uma espécie de “herança genética”.


O processo inverso.


A situação atual, de extrema necessidade, desnutrição e fome, faz com que o cérebro humano inicie um processo de “involução”. Ele começa a “desligar” certas áreas cerebrais, num processo que, de geração em geração, vai diminuindo o poder intelectual até o ponto em que a única área do cérebro ativa será a da sobrevivência. Quando isso acontecer, matar um semelhante para comer será uma reação puramente instintiva, uma simples questão de sobrevivência. O homem está sendo reduzido a condição de animal.

Questão de lógica.


Ricardo César Boaretto, um amigo muito inteligente, um dia me disse que o mundo entrará em colapso, e só quando isso já estiver acontecendo é que os governantes vão perceber que é mais barato dar comida para o povo que pagar para se proteger dele. Quando filhos de políticos começarem a morrer pelas mãos do povo morto de fome esse processo começará a se reverter por uma simples questão de lógica econômica. Quando se rouba o povo, tira-se dele o direito de ser gente e o reduz a condições selvagens.


20/08/2009

CONHECIMENTO X INFORMAÇÃO


Há diferença entre conhecimento e informação?

Segundo o dicionário, nosso bom e velho, num primeiro momento é tudo a mesma coisa . Mas conhecimento pode ser discernimento, consciência de si mesmo, experiência da vida, idéia, noção... Já informação, segundo o mesmo dicionário, pode ser notícia, dados sobre algo trazidos ao conhecimento de alguém... olha aí.

Para mim, a diferença é bem clara. Baseada no empirísmo, é claro. Aliás, o empirismo tem se mostrado uma boa solução para a preguiça de pesquisar... Se não tenho pesquisa para embasar, vou de conhecimento empírico mesmo... Enfim, conhecimento é o resultado do tratamento dado à uma infinidade de informações que chegam até nós pelos mais variados canais. Quando eu recebo tudo isso e trato com base nas minhas experiências anteriores, nos outros conhecimentos já adquiridos e ordeno tudo, passa a constituir um novo conhecimento, um novo saber, uma nova referência.

Então, pensem comigo, tudo o que recebemos no dia-a-dia, tudo mesmo, é informação, inclusive aquilo que o professor fala, e cabe a nós, como ativos no processo do conhecimento, refletir , comparar, buscar referências e só depois tranformar aquilo em um novo conhecimento.

Pela alegria geral da nação, vamos parar de tomar como verdade todas as besteiras que chegam até nós.

Pensa nisso?